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terça-feira, 27 de outubro de 2015

Hemostasia na Veterinária




Esquema de Hemostasia
Fonte :mariaestherdeschamps.wordpress.com

Sistema hemostático = - Resposta à injúria vascular;
                                   - Garante fluidez do sangue nos vasos e perfusão tecidual.
                                   
- Dinâmica do fluxo sanguíneo, componentes do endotélio vascular, fatores de coagulação, plaquetas, mecanismos fibrinolíticos = interagem para minimizar perda de sangue e promover o reparo nos tecidos que apresentarem lesão.

Hemostasia inclui controle de hemorragia + dissolução de coágulo;

Hemostasia primária, secundária e fibrinólise.


Hemostasia Primária

- Interação entre paredes do vaso lesado e plaquetas, originando o plug hemostático primário;
- Vasoconstrição após lesão = controle da hemorragia inicialmente;
- Após exposição de tecido subendotelial = plaquetas + colágeno tecidual (agregação plaquetária)
                                                                        {Devido ao fator de Von Willebrand}

           => Ao se ligar aos receptores de membrana das plaquetas, gera alterações morfológicas = provoca liberação de substâncias vasoativas e agregantes (adrenalina, noradrenalina, ADP, serotonina, tromboxane) = fazem manutenção da vasoconstrição e amplificam a adesão e agregação plaquetária = plaquetas se ligam pelo fibrinogênio do plasma = compactação do agregado pela contração dos filamentos de actinomiosina do citoplasma das plaquetas = limitação do processo de adesão é pela liberação de prostaciclina que é um vasodilatador e antagonista deste processo = prostaciclina (deriva do ácido araquidônico) estimulada pelo endotélio íntegro a atuar no injuriado.

- Trombopoiese = Fragmentação do citoplasma de megacariócitos (na Medula óssea).

- Disfunção na hemostasia primária = - Formam-se lesões hemorrágicas (petéquias/equimoses) após o trauma, o extravasamento de sangue não é contido;
                                                         - Os processos primários da hemostasia se seguem com diminuição da pressão hidrostática e do fluxo sanguíneo local = permite a adesão plaquetária à superfície da parede do vaso + alterações morfológicas nas plaquetas = estimula adesão e agregação plaquetária = formação do tampão hemostático primário.


Hemostasia Secundária

- Formação de complexos macromoleculares de fibrina pela coagulação de PTNS na superfície do plug ;
- Conversão de fibrinogênio em fibrina (realizada pela trombina)
                          (solúvel)            (insolúvel)
- Proteínas de coagulação = números romanos que não são numerados em ordem de acontecimento;
- Ca = No processo de coagulação, uma pequena quantia é usada;
           Hipocalcemia intensa só levaria o animal a morte pelo fato do Ca ser fundamental em outros processos vitais do organismo.
           Saber o papel do Ca é útil no processo de obtenção de sangue e plasma para análise (anticoagulantes quelantes de cálcio).

- Fator VI = Fator V ativado
- Fator FvW = Alto peso molecular;
                        Carreador de FVIII-C (fator anti hemofílico)
                                              FVIII-RAG (Fator von Willebrand)
- Proteínas de coagulação são divididas de acordo com substratos (fibrinogênio), cofatores (V, VIII e XIII) e enzimas inicialmente inativas (fatores restantes).
- Vias de ativação = Intrínseca e  Extrínseca (as duas resultam em formação de fibrina).
                                 (Ativada pelo contato do fator XII com o colágeno);
                                 (Precalicreína, cininogênio propagam a coagulação)
- Fator XIII = Estabiliza fibrina, torna a mesma insolúvel.

- Deficiência dos fatores de coagulação= Formação de hemorragias maiores
                                                               O sangramento mais grave ocorre após um certo tempo, devido ao término da ação da hemostasia primaria
                                                              Sem plug com fibrina= Tamponamento ineficiente de vasos


Hemostasia Terciária

Ao mesmo tempo em que o tampão é formado, começa o processo de fibrinólise = degradação enzimática do fibrinogênio e da fibrina e fatores de coagulação ativados = permite o reparo definitivo da injúria vascular e controle sobre eventos trombóticos.
- Importante equilíbrio entre coagulação e fibrinólise = manutenção do sangue dentro dos vasos e sua fluidez.
         => Antitrombina III = Antitrombina (AT)
                    => Antagonista da trombina = heparina ajuda como cofator potencializador.
- Plasminogênio => Plasmina (age sobre a fibrina gerando os PDF's)
- Também participam da fibrinólise = PTNS C e S (proteólise de fatores V e VII).

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Distúrbios da Hemostasia

Essa parte foi dividida em duas, pois o assunto é muito extenso

Distúrbios da Hemostasia - Patogenia e Clínica Laboratorial 
Distúrbios Hemorráficos
Fonte: www.ebah.com.br

- Desordens comuns em cães e gatos = congênitas ou adquiridas;
- Natureza clínica do sangramento pode determinar se é defeito primário (plaquetas ou vasos) ou secundário  (coagulação);
- Hemostasia anormal pode causar trombose e tromboembolismo;
- Cães: Causas mais comuns de sangramento: CID, trombocitopenia, rodenticidas;
- Gatos: Alterações nos tampões de hemostasia em doença hepática, PIF e neoplasia.

Testes para Avaliar Hemostasia Primária

Tempo de Sangramento da Mucosa Bucal (TSMB)

Método mais eficaz em animais para mensurar tempo de sangramento;
Marcar tempo entre incisão e fim do sangramento (1,7 a 4,2 cães/ 1 a 2,4 gatos)
TSMB prolongado: D vW, trombocitopenia (menos de 75.000 plaq.) ou defeitos plaquetários qualitativos.

Contagem Plaquetária Estimada

Em lâmina de distensão sanguínea (sangue com EDTA em coloração Romanowsky) conta-se 10 campos e multiplica-se por 15.000 (valor em microlitros). Normal acima de 165.000. 80 a 150.000, sugere trombocitopenia leve; 50 a 90.000, sugere trombocitopenia moderada; menos de 50.000 sugere trombocitopenia severa.

Contagem Manual de Plaquetas

Variação de 20 a 25%. Amostra com EDTA + diluente a base de oxalato de amônio (dilui o sangue e lisa hemácias).
Normal cães: 200 a 700.000 por microlitro;
Normal gatos: 300 a 800.000 por microlitro.

Contagem Plaquetária Automatizada

Em gatos as plaquetas tendem a se agregar ou ainda, apresentar macroplaquetas que não são detectadas pela máquina o que pode gerar erro.

Teste de Função Plaquetária

Indicado quando há evidência clínica de defeito em hemostasia primária ou TSMB aumentado e quando D vW e trombocitopenia tenham sido eliminados de suspeita. Necessário saber todos os medicamentos que o animal fez uso nos últimos 10 dias para que se possa determinar se algum faz inibição plaquetária. Agregômetros são adicionados à amostra em testes e a habilidade das plaquetas se agregarem e liberarem o conteúdo de seus grânulos é testada.

Antígeno FvW

Detecção por eletroimunoensaio ou ELISA

Ensaios Funcionais do F vW

Verifica habilidade do F vW de aglutinar plaquetas pela formação de pontes.


Testes para Avaliar Hemostasia Secundária

Tempo de Coagulação Ativado TCA

Avalia vias intrínseca e comum da coagulação
Mede o tempo necessário para que sangue total fresco coagule quando em presença de substância que inicie coagulação
TCA + Contagem plaquetária = Diagnostica CID
TCA cão = 60 a 110 segundos
TCA gato = 50 a 75 segundos

TP e TTPA

Avaliam tempo necessário para uma amostra de plasma + citrato de sódio coagular quando se adiciona cálcio ou agentes ativadores.
- TP = avalia anormalidade nas vias extrínseca (FVII) e comum (fibrinogênio, FII, FV e Fx);
p/ TP prolongado = alguns fatores tem que estar 30% abaixo do normal,
                        Em intoxicação por dicumarínicos, hepatopatia, deficiência de fator e CID
                        Em estágio inicial de ausência de vitamina k.

- TTPA = avalia anormalidade nas vias intrínseca e comum
                mensura tempo necessário para plasma formar coágulo de fibrina após mistura com cefalina, caolim e cálcio,
                detecção com menos de 30% de atividade


Testes de Fibrinólise

Produtos de Degradação da Fibrina

Aumento de PDF = excessiva fibrinólise
Muito usado para diagnosticar CID, porém, pode estar aumentado em pós cirúrgico
Valor normal do cão: < 40 ug/mL
Valor normal do gato: < 8 ug/mL
- PDF aumentado em coagulopatias associadas a envenenamento com antagonistas de vitamina k, hepatopatia e condições trombóticas.

Tempo de Coagulação da Trombina

Verifica tempo necessário para uma amostra de plasma com citrato coagular após adicionar-se trombina exógena e cálcio. Prolongado na hipofibrinogeneimia e disfibrinogeneimia.
Em caso de presença de inibidores da trombina na amostra (heparina, PDF ou PTNS séricas anormais).
TCT normal de 8 a 10 segundos.

Fibrinogênio

Aumenta em processos inflamatórios, normalmente com aumento de leucócitos.
Teste se baseia na precipitação por calor, centrifugação e refratometria.
Normal = 0,5 a 3g/L, cães e gatos
Hipofibrinogeneimia = CID, deficiência de FI e hepatopatia avançada

Antitrombina III

ATIII = anticoagulante natural circulante, inibidor da trombina
Diminui em desordens hipercoaguláveis (CID), hepatopatias;
Testes baseados em ensaios enzimáticos colorimétricos,
Enzima eliminada em nefropatias e enteropatias com perda de PTN.


Desordens Plaquetárias Congênitas 

Doença de Von Willebrand

Resulta de deficiência do F vW;
F vW plaquetário fica armazenado nos grânulos alfa das plaquetas, pode ser liberado por trombina, colágeno ADP, adrenalina.

- Injúria => Exposição de elementos subendoteliais + F vW plasmático => Aumenta ação do FvW subendotelial = facilita adesão plaquetária => ligação do FvW leva à mudanças na conformação das plaquetas => aumenta afinidade de ligação por receptores de glico PTN Ib. da membrana das plaquetas circulantes => plaquetas são ativadas, expõe receptores para glicoPTN ligadora de fibrinogênio = facilita interação entre plaquetas.

- Doença de vW = Sangramentos podem não ser sempre significativos, normalmente são superficiais e em mucosas;
                          = Sinais comuns: hematúria, gengivorragia, melena, epistaxe, estro com sangramento excessivo, excessivas sufusões em locais com feridas traumáticas ou cirúrgicas e na troca de dentes decíduos;
                          = Petéquias raramente encontradas (diferencial);
                          = Claudicação, hemorragia intracraniana e má cicatrização.
                          = Deficiência qualitativa ou quantitativa do FvW, defeito extrínseco plaquetário
                          = Perfil laboratorial = Contagem Plaq. normal, TSMB prolongado, TCA e TTPA podem estar prolongados levemente. Baixa concentração de FvW.
                          = Tratamento com crioprecipitado ou plasma fresco congelado.


Trombostenia de Glanzmann

Hemorragias excessivas de mucosa,
TSMB aumentado = contagem plaq. normal ou baixa e volume plaq. normal ou aumentado.
Ocorre diminuição na retenção plaquetária, plaquetas nãos e agregam ao colágeno, reduzida secreção de grânulos e ADP, trombina e fator ativador de plaquetas ausentes.
Mudança na forma, retração anormal de coágulo, diminuição na GPIIb/IIIa.


Trombopatia do Basset Hound

Defeito na agregação plaquetária por distúrbio no metabolismo da adenosina monofosfato cíclica (AMPc) nas plaquetas do sangue.
Resposta de agregação apenas perante trombina, o que faz com que seja tardia.
Possuem aumento na  AMPc = inibe liberação do cálcio intracelular, ligação de receptores e hidrólise de fosfolipídeos.
TSMB aumentado.

Deficiência do Armazenamento Plaquetário em Cocker Spaniel Americano

Defeito bioquímico = dificulta secreção plaquetária = compromete liberação dos agonistas plaquetários endógenos necessários para agregação = atraso na estabilização do plugue primário.
Hemorragia severa após trauma, venopunctura ou cirurgia.
TSMB prolongado, diminuição da liberação de serotonina C em resposta ao colágeno, aumento na relação de ATP:ADP da plaqueta.

Síndrome de Chediak - Higashi (SCH)

Gatos, bovinos, ratos
Agregação induzida por colágeno, ADP e adrenalina = prejudicada
Gatos com TSMB aumentado.


Distúrbios da Hemostasia Parte 2



Distúrbios da Hemostasia - Patogenia e Clínica Laboratorial 2

Coagulopatias Congênitas

- Normalmente são decorrentes de endocruzamentos, pois fazem com que tanto genes bons, quanto ruins, se fixem;


HEMOFILIA A

- Deficiência no fator de coagulação VIII (fator anti hemofílico),
- Segunda deficiência hemostásica mais comum em cães e gatos,
- Transmitida pelo cromossomo sexual X, de caráter recessivo;
- Sinais clínicos comuns são: hematomas, epistaxe, hempoptise, sangramentos pelo TUgenital e TGI, e hemorragias associadas à traumatismos;
- Primeiros sinais: sangramento excessivo de cordão umbilical, hemorragia gengival após troca de dentes decíduos;
- Podem ocorrer sangramentos internos repentinos;
- Em laboratório pode-se observar: Contagem de plaquetas, TSMB, TP, TCT dentro do padrão,
                                                       TCA e TTPA prolongados,
- Animais afetados apresentam FVIII menor que 25% do normal.
- Classificação de severidade de acordo com FVIII: Menor de 2% do normal = Severa
                                                                                2 a 15% do normal = Moderada
                                                                                15 a 25% do normal = Leve
- Cuidados são necessários, como usar agulhas de calibre menor, evitar drenar hematomas, usar compressões, cauterização, não ministrar medicamentos que afetem a função plaquetária, em caso de cirurgia inevitável, fazer suplementação com FVIII antes, durante e após procedimento!


HEMOFILIA B

- Deficiência do FIX, clinicamente não se pode distinguir da Hemofilia A;
- Defeito genético não tão comum;
- Sinais clínicos parecidos com da Hemofilia A, porém, mais intensos;
- Observações laboratoriais parecidas com da Hemofilia A, porém, pode-se fazer diferenciação através da adição de plasma ou soro em TTPA. Adicionando-se soro fresco de paciente saudável, corrige-se apenas o TTPA de pacientes com Hemofilia B.
- Deve-se ter os mesmos cuidados de manejo que com animais com Hemofilia A.